12 outubro 2008

Dèjá vu.

"Está frio, mas não faz frio", pensou. Era verdade. Ele sentia frio sem necessidade nenhuma. Era uma sensação feliz, que vez ou outra ele gostava de ter. Estava sentindo essa sensação desde a tarde, quando no céu uma chuva ameaçou cair e o vento entrou pela porta da sua casa. Então ele saiu, foi dar uma volta sem rumo, pegar um pouco de ar. Estava precisando disso. Há dias não sabia o que era andar na rua, sem pressa, observando as pessoas em suas casas, em suas rotinas, ouvindo o som do vento que lhe soprava no rosto.
Quando se deu conta já estava em casa, deitado no sofá. Sozinho. Não que ele não tinha percebido o passar do tempo, mas nada de suficientemente importante aconteceu do fim de tarde até então. O vento de novo entrou pela porta. Ele sentiu saudades. Ia fazer um ano desde que sua vida começara a mudar em todos os aspectos. "Um ano!", repetiu algumas vezes em voz alta.
Uma música invadiu sua cabeça. Ela se repetia e ele não se cansava de prestar atenção na sua melodia, ecoada, com gosto de dever cumprido misturada com agonia. Sinestesia era o seu negócio mais produtivo. Agora seus pensamentos mudavam de direção. E a música também acompanhou a mudança. Cantava para si mesmo, intimamente, uma música que só sabia o nome, mas que tinha marcado uma época que ele gostaria de viver de novo.
Os pensamentos lhe diziam que ele estava no caminho certo: Estava fazendo o que devia ser feito, estava agindo como deveria agir. A razão por sua vez lhe pedia para ser cauteloso. Só que ele não estava arriscando nada para ter um motivo que lhe exigisse essa cautela. Ele apenas estava se deixando levar pelas emoções. Mas preferiu acreditar mais uma vez na sua intuição: ainda tem muita coisa por vir e ele não perde por esperar.
O céu lhe dizia através de dias chuvosos que coisas excelentes se aproximam, e que ele nada deve fazer. Ele deve apenas ser ele mesmo. Agir como ele mesmo agiria. Para que algumas pessoas insistem em ser o que não são só para parecerem melhores? Ele era louco, sensato, falava coisas erradas justamente quando não podia mas era feliz assim. Ele nunca deixaria de ser quem era só porque certas pessoas o reprimiriam. Ele gostava de ser ele mesmo e sabia que existiam pessoas que sentiam orgulho por ele ser assim.
Com isso ele sorriu. E gargalhou logo depois. Conseguiu soltar baixinho um "que se danem". Foi procurar na internet a letra da música do tempo que ele gostaria de viver de novo. Acompanhou a tradução e achou que estava tendo um dèjá vu:
"Não se importe com o que os outros dizem, apenas siga seu próprio caminho.
Não desista e use a chance para retornar à inocência.
Esse não é o começo do fim. Esse é o retorno a você mesmo."

2 COMENTÁRIOS:

M. disse...

Céus! Gabriel vc é um puta escritor! uhahuahuauhuha

Serio msmoo! Mtoo bom!

Josy disse...

tô achando que tenho mais um concorrente no mercado publicitário no ramo da redação, hein?