12 dezembro 2010

Sintonizados

Ao som de What Of Me - Trespassers William.

Dizem que não existem laços mais fortes que os de sangue. Eu poderia comprovar isso perfeitamente, uma vez que conheço inúmeras pessoas que se dão muito bem com suas famílias. Não quero aqui entrar nessa discussão, não vou exemplificar com exemplos próprios. Não que eu não possa exemplificar isso dentro da minha própria casa, mas é que hoje quero provar que essa premissa não é verdadeira.
Quero na verdade direcionar esse texto a uma pessoa. Eu poderia colocar um "talvez" no meio das minhas próximas palavras: "talvez a única capaz de me entender tão bem, talvez o melhor amigo que terei por toda a vida". Mas como eu já percebi, retiro sem medo o "talvez", trocando-o por um "sem sombra de dúvidas". Há meses venho pensando nessa amizade, que começou de uma forma não convencional. Há meses queria escrever sobre a nossa sintonia mas não sabia como dizer o que quero registrar aqui. Me permiti tentar.
Como citei logo acima, hoje provarei que existem SIM, laços mais fortes que os sanguíneos. É como se tivéssemos nosso próprio DNA, só nosso. É como se fôssemos mais que amigos, mais que irmãos. Mais que gêmeos. Já disse a você que nos completamos, mas descobri uma palavra que se encaixa melhor: estamos SINTONIZADOS. Uma sintonia que vai além da já experimentada pela grande maioria de melhores amigos. É algo que, para mim, beira o inexplicável.
Eu já ouvi quando criança que alguns irmãos (e isso é mais comum entre irmãos gêmeos) são capazes de sentir o outro, mesmo distantes, sentir o que acontece há quilômetros. Não somos irmãos, nos conhecemos há dois anos, mas é basicamente isso o que me une a você: uma capacidade de sentir, mesmo que distante, o que se passa contigo. E não foi algo que me aconteceu uma única vez. Poderia enumerar umas três ou quatro, mas nunca te falei sobre isso porque até eu achava uma bobagem. Mas não é. O que nos une não pode ser chamado apenas de amizade. Essa é uma palavra muito comum e nossa amizade não é comum. O que nos une é essa sintonia que viaja grandes distâncias e permite que você se comunique comigo mesmo quando eu sequer sei onde você está.
Há alguns dias você se comunicou comigo sem saber e eu deixei isso passar. Há alguns dias, do nada, me senti mal, fiquei triste de uma hora para outra, sem saber o porquê. E não me assustei quando à noite vi que você não estava muito bem. É a nossa sintonia. No dia seguinte reli o texto que você me escreveu no meu aniversário. Senti sua falta, senti falta de te der por perto e mais uma vez deixei isso passar. Conversamos muito hoje, mesmo que pela internet. Foi exatamente o que eu sentia falta, nossas conversas sinceras, como eu mesmo escrevi para você. Foi quando você respondeu que sentia falta da minha companhia. E mais uma vez essa sintonia apareceu.
Olha, amigo. Eu sempre tive medo do dia em que nos separaremos. E sabemos que mais cedo ou mais tarde isso vai acontecer, seja pela falta de tempo para encontros e conversas, seja porque talvez poderemos morar em cidades diferentes. Tive medo de não te ter por perto. Mas analisando todo o nosso histórico, essa sintonia é melhor do que nada. Ok, nada pode substituir seus olhos e tudo o que eles me passam, mas pelo menos, mesmo sem você saber, você se comunica comigo e me avisa quando não está muito bem. E eu, aqui do outro lado, longe, posso chorar baixinho, tentando tirar a sua dor. Talvez isso não funcione, mas tenho a esperança de que da mesma forma com que você me "diz" que está mal, eu possa chorar por você e te fazer melhorar.

- Foi bom ouvir você hoje. Estava sentindo falta dessa nossa sinceridade toda.
- E eu estava sentindo falta de você. Ponto.

15 outubro 2010

Sobre estas e todas as coisas.

Ao som de Mark's Song - Eastmountainsouth.

Crises. O que são crises para você? Me acostumei com as minhas. São crises de nostalgia, nada mais. Me ponho a pensar sobre estas e todas as coisas: quantas vezes eu já passei tentando explicá-las para quem eu achava que as entenderiam? Ninguém é capaz de entender. Ninguém entenderia a intensidade destas nostalgias. Não as minhas. Não é fácil explicar, não é fácil descrever em palavras momentos desimportantes de dez, quinze anos atrás, mas que agora ganham uma importância inenarrável para mim.
Quem um dia chegou mais perto de entender me disse que isso é a fuga que eu tenho. Meu porto seguro e acolhedor, onde eu sempre volto quando sinto falta de silêncio e paz. Não. Há quatro meses eu não estava em crise. Isso explica eu ter estado tão fora de mim. Nunca sou tão sensato quanto em crises nostálgicas. Nunca tenho tanto foco quanto em momentos assim. É resultado da inocência velada. Existe ainda uma criança dentro de mim. A que ouviu atentamente o pai explicar o porquê da lua cheia estar tão grande naquela noite em Goiânia, quando eu ainda nem sonhava em morar aqui. Aquela criança que olhava para o céu e se maravilhava com os telhados das casas antigas, as árvores e os papagaios de um final de tarde no interior. A criança que até hoje sente o calor do fogão à lenha da casa da avó.
Nas minhas crises nostálgicas essa criança ganha ares e sai de mim. Fica ao meu lado, transmitindo em pensamentos o que eu devo e preciso ouvir, o que eu quero fazer mas que não posso. É um Gabriel de sete, dez anos que sabia mais do que eu pudesse imaginar. Sopros adultos naquela inocência ignorada que torcia para o tempo passar mais devagar. O tempo, como estamos cansados de saber, não para. Mas o que fica preso e vez ou outra escapa é justamente esta nostalgia que ganha espaço em momentos como este.
De fato é meu porto seguro e certamente sempre será. Passei anos lutando por bons amigos e os encontrei finalmente. Mas agora somos adultos e toda essa coisa de responsabilidades ou obrigações por vezes nos deixam incomunicáveis. Daí o refúgio, daí a nostalgia: o Gabriel de sete, dez anos sempre estará disponível, basta chamar. Basta encontrar no céu o mesmo céu do interior. Basta a lua, cheia ou não. Basta o frio e o desejo de ter o calor da lenha que queima lentamente.
Deixe-me apresentar o Gabriel de sete, dez anos. Ele veio passar uma temporada comigo e não sabe ao certo quando irá voltar.

27 agosto 2010

Sinta-se

Ao som de Please, Don’t Go - Barcelona.

Veja, olhe o presente que eu te dei. Sinta. Apenas sinta. Te fiz com uma característica única que talvez você nunca consiga manejar. Possivelmente você não saberá controlá-la, quando a terá, quando quiser parar de tê-la… Você não precisa saber dessas coisas, já disse. Basta sentir. E sabe por que não te dei o controle disso? Para te surpreender! Quando você menos esperar, ali estarei, não como pessoa, não em carne. Em alma. Porque sabes como ninguém que a alma está em todos os lugares. Posso estar no vento, em uma ou em todas as gotas de chuva, em uma ou em todas as gotas de suas lágrimas; posso ser árvore, troncos, terra. Pássaros, nuvens, ou aquele tom alaranjado do sol que acabou de encontrar sua pele. Era eu. Enquanto eu te deixava atordoado em emoções que nem sabes distinguir, pessoas ao seu redor continuavam suas vidas. E eu te fiz pensar nisso, te fiz ver o quão grande é o mundo, e o quanto valorizas as pequenas coisas. Sei que consegui. Você olhando pela janela é a coisa mais linda que eu posso ver. Te vejo enquanto você vê os outros. Sei que você queria poder gritar, abraçar todo um mundo que te parece estar tão longe, mesmo a 5 metros dos seus olhos, mas calma. Você é único, se abrace primeiro. Você é todos, um pedaço de cada um. Nunca mude isso. Não permita se julgar porque eu deixo você ser e fazer o que quiser, mesmo que sozinho. Você pode não sentir, mas nós dois sabemos que sentir é a única coisa que você deve fazer.

14 julho 2010

Memória.


Odeio despedidas. Se bem que essa caminha para não ser uma. Queria apenas escrever minhas palavras de sempre, aquelas que falam mais que minha voz. As palavras, que vez ou outra me dizem que as domino bem. Não sei direito, mas tenho uma puta familiaridade com essas coisinhas que juntas me fazem sentir melhor.
Hoje ainda voltarei para minha cidade natal. Aquela que eu sempre critico, seja pelas pessoas de cabeça fechada, seja pela falta do que se fazer por lá. Mas é de lá que eu vim. É lá que às vezes preciso voltar. Faz um ano que não piso em chão familiar e agora isso é mais que necessidade, mesmo eu ainda me perguntando se é o melhor que tenho a fazer. Mas a saudade é maior. A saudade de poder andar por cada uma daquelas ruas que, sim, contam muitas histórias de mim. Dos meus amigos. Dos meus pais. Aquela saudade de chegar na casa dos avós, abrir o portão, aquele código de tocar a campainha e gritar “vóóó”, para que ela possa destrancar a porta com segurança e finalmente vir te abraçar, enquanto você sente o cheiro do café que só as avós sabem fazer. Sinto falta de poder sair à noite, de rever pessoas incríveis que voltaram ali pelo mesmo motivo talvez. Falta do frio da madrugada, do silêncio que não é igual ao de nenhum outro lugar. E confessar que na minha atual conjuntura, estou sentindo saudades até de ter que visitar as tias que se trancam por medo de uma violência infundada, tias as quais nunca entendi. “Que doença é essa que ela diz que tem, mãe? Que paranóia é essa de não deixar ninguém a abraçar?”
O fato é que como eu disse, aquela merda de cidade ainda vive dentro de mim, por mais que não seja a mesma do meu tempo. Essa não é a mesma praça que eu brincava, aquela não é a mesma calçada que um dia eu desenhei. Mas, por incrível que pareça, as árvores ainda são as mesmas, e eu ainda carrego comigo essa minha espécie de energia natural. As árvores são as únicas que não mudaram, que ainda têm as mesmas histórias para contar.
Eu preciso voltar. Nos últimos doze meses fiz de tudo aqui. Lutei, briguei. Pensei muito, agi pouco. Perdi oportunidades que julgava ter tido e que hoje não passam de especulações. Menti, desmenti, menti de novo. Falei a verdade para quem julguei necessário contar. Arrumei estágio, tive medo por ter uma jornada de 16 horas fora de casa. Juntei meu dinheiro e fiz uma das coisas que eu sempre sonhei: viajei, fui viver. E com a melhor companhia que eu poderia ter. Com o único amigo que eu tenho. Não se sintam menosprezados, mas aqui a palavra “amigo” vem com seu significado mais original possível. Meu único amigo, meu melhor amigo. Uma pessoa que mesmo mais nova, às vezes me assusta com seus olhos de ancião. Vivemos muita coisa juntos, acreditem. E vivemos juntos muita coisa de cada um de nós. Vivemos muitos dias nascendo, e eram nesses momentos que eu tinha a total certeza que existiam apenas duas pessoas no mundo pensando e fazendo a mesma coisa ao mesmo tempo.
E foi por essa amizade que passei meus últimos seis meses com os pensamentos a mil. É a única pessoa que me ouve por inteiro e, entendam, essa pessoa mereceria um prêmio por ouvir sempre a mesma besteira aqui. Eu sei que ela abdicaria de qualquer prêmio por isso porque ela gostava de me ouvir. Mas isso não diminui a minha gratidão por toda essa paciência. Sabemos que sempre somos recíprocos. Nos damos tapas na cara, nos abraçamos. Mas sempre voltaremos ao mesmo lugar, as mesmas tardes de diálogos banais com sucos de laranja e chocolates gelados. É o que eu mais sentirei falta. Não existe saudade alguma que supere a saudade que vou sentir de passar mais tardes assim, enquanto eu estiver longe daqui. Posso estar exagerando, de princípio, vinte dias não são nada. Para mim, são.
Preciso ir. Preciso reaprender a demonstrar meus interesses e ideais. É algo tão simples e ao mesmo tempo tão incomum… Preciso me permitir voltar. Mas antes de tudo, preciso da coragem e segurança que eu sempre esqueço de guardar. No meu quarto tenho isso por todos os lados, mas a bagunça é tanta que sempre desisto de procurar. É a verdade, é isso que acontece. Mas, uma vez que eu sei meu ponto fraco, não posso mais me permitir errar.
Eu amo tudo isso, eu amo todo mundo e eu amo todo lugar. De formas diferentes, mas são as únicas coisas que eu eu tenho certeza que vou amar.

17 junho 2010

Como cães e gatos.

Ao som de We Have A Map Of The Piano - Múm - Música para embalar relacionamentos com gatos.

Analisando meus animais de estimação, algo interessante me veio à cabeça: eles são como as personalidades das pessoas em seus relacionamentos. Assim, os dividi em duas linhas de pensamento. Os cães e os gatos.
Meu hamster não entrou nisso porque ele se assemelharia mais a um filho, por só comer, dormir e, quando acordado, passar o dia brincando em sua rodinha. Peixes e pintinhos (sim, no interior você ganha pintinhos no dia das crianças na escola) também estão fora porque se você tem mais de 18 anos e ainda cultiva um desses animais, você teve problemas na sua infância.

Relacionamento com "cães"
Todo mundo apóia quando você diz que vai ter um, todo mundo acha uma gracinha e se já não teve, sonha em um dia ter. É o mais fácil de lidar, apesar de que no início pode parecer meio chato. Seja pela alegria em abundância, seja bela bagunça que causa enquanto vocês não se acostumam um com o outro.
Depois você logo percebe que está se relacionando com um cão quando ele faz alguma coisa muito ruim para você. Você briga a primeira vez e ele vem com o rabo entre as pernas e aquela cara safada de que te ama até o fim dos tempos. Basta então você descer um tom da sua voz que ele já abana o rabo e te enche de lambidas.
Mas cão que é cão sempre faz de novo, e de novo, e de novo aquilo que você cansou de discutir com ele. E a cara safada de quem te ama até o fim dos tempos sempre volta, junto com o rabo abanando.
É o que mais te domina, psicologicamente falando. Seja pela cara safada de quem te ama até o fim dos tempos (acredite, ela sempre é recorrente em momentos de brigas e tensões), seja por querer brincar e se divertir com você justo naquele momento que você só quer ficar sozinho em casa.
Um cão sempre vai correr para seus braços (ou suas pernas, a comparação aqui serve para o animal e para os humanos) logo que te ouvir colocando as chaves na fechadura da porta para entrar. Você entra e quase é derrubado por aquele ser que vem do lugar mais inesperado do mundo, correndo e ávido por um abraço.
Se você o chama, no meio do nome lá já estará o ser, riste, em pé, olhando e sorrindo pra você.
Sempre quer passear, sem horários certos, de manhã, início daquela tarde em que você tem que sair corrido de casa pra trabalhar, ou 4 horas da manhã, quando você sem querer menciona que a madrugada tá agradabilíssima.
É o mais fácil de conseguir, todo mundo sempre tem boas recordações e referências de onde encontrar uma espécie. Apesar de preferirem os de raça nobre, todo mundo um dia já teve um bom e velho vira-lata pra chamar de seu.
É o mais difícil de se desgarrar porque vai dar aquele aperto no coração de vê-lo indo embora, com aqueles olhinhos melancólicos e que te transmitem um "eu nunca vou esquecer nossos momentos felizes", mas espera só duas horinhas com um novo dono pra você perceber que nada disso é verdade!

Relacionamento com "gatos"
Todo mundo despreza, diz que é difícil de lidar e que ninguém sabe muito bem como tratar. Com gatos não se tem meio termo: Alguns têm receio por se tratar de um animal muito calado. Outros preferem justamente isso.
Não fala muito, não late toda hora, fica ali no mesmo canto a noite toda demonstrando toda sua "abundante" sentimentalidade com o olhar e com a cabeça virando para o lado e te ignorando na maior cara de pau. Aliás, se tem uma coisa que gatos sabem fazer como ninguém é isso: aquele olhar indiferente e aquele ar de desdém.
Ao contrário dos cães, a adaptação aqui é demorada. Tem toda uma troca de olhares. Você vê uma vez, se interessa e já leva pra casa. De primeira, nada acontece, ele vai olhar todo o ambiente, vai sentar em todos os locais, conhecerá todo o território primeiro. E dará um jeito de ir embora sem te dar tchau.
Mas não se desespere. Dê a ele um dia apenas. Se ele não voltar, ok. Mas se voltar, você ganhou mais que uma companhia. Você ganhou um aliado, um ser que entenderá todos seus gestos e todas as suas atitudes, mesmo sem precisar abrir a boca para te falar isso.
Não gosta de muito contato, não gosta de pegação, não gosta de nenhuma demonstração calorosa de afeto. Quer dizer, gosta sim, mas fará de tudo pra te provar o contrário e não ceder.
Adora dominar as situações. E continua sempre a te ignorar. Mesmo te amando com todas as forças você sabe que corre o risco de chegar em casa e não encontrá-lo, mas que quando você menos espera, ele surge pela janela e passa a demonstrar carinho por você da forma mais sublime possível. Sabe aquela onda de "não sei, mas hoje me deu uma saudade de ficar com você sem falar nada..."? Pois então.
Dormem o dia inteiro. E quando acordam já querem sair para se divertir. SOZINHOS. Ele vai dizer que quer encontrar os amigos da rua (ou os amigos que fez na rua), daquele tempo das madrugadas sem lei. Podem cair na besteira de te trocar por algum desses amigos dele de rua. Mas se você fizer o mesmo e o trocar por algum dos seus amigos de balada, sem discutir ele vai voltar pra você como o ser mais necessitado de carinho do mundo, ronronando "eu te adoro" enquanto caminha pelo seu corpo inerte e indiferente (invertemos as situações) no sofá.
Em algum momento você se verá completamente apaixonado por um gato. Mas terá medo que isso nunca seja tão recíproco quanto você gostaria.
Um dia você vai explodir com isso tudo, com essa falta de demonstração de afeto, com essa mania de sair escondido na calada da noite. Mas você nunca se livrará dele com facilidade. Na hora de botá-lo pra fora, ele não vai sair por conta própria, vai se esconder em algum canto da casa. Se você decidir fazer isso da forma mais definitiva possível, pegando pelo braço, acredite: sairá arranhado, o deixará continuar na sua vida mas vai ficar pelo menos duas horas sem chegar nem perto. Mas depois, vocês dois se olharão e verão que apesar de tudo, se amam mutuamente, cada um do seu jeito.
Segredo: todo gato, por mais esnobe e indiferente que seja, tem o seu ponto fraco. Aquele carinho fofo no cotovelo esquerdo que o desmonta, ou aquele pegar no colo e passar hoooras fazendo cafuné. Em resposta, ouvirá gemidos baixos carregados de prazer.
Não, isso não é uma descrição de orgasmo.

E eu prefiro os gatos. Mil vezes.